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Dez dias pela Polónia: de Cracóvia a Varsóvia

  • há 11 minutos
  • 28 min de leitura

Bem-vindo ao nosso roteiro de dez dias pela Polónia, a viagem que eu e o meu marido fizemos no verão de 2026. Percorremos o país inteiramente de comboio, passando por diversas cidades como Cracóvia, Breslávia, Poznań, Gdańsk e Varsóvia. 



Antes de partir: o que é bom saber sobre a Polónia


Antes de contar dia a dia como foi a viagem, acho importante deixar aqui algumas informações práticas sobre o país, porque foram informações que me ajudaram a organizar melhor o roteiro da viagem e que provavelmente vão ajudar quem estiver a planear o mesmo percurso.


A Polónia é membro da União Europeia, mas ainda não adotou o euro. Dessa forma, a moeda oficial é o zlóti polaco, com o código PLN e o símbolo zł. Na altura da minha viagem (Agosto de 2026), a cotação rondava os 4,22 zlótis por cada euro. Vale sempre a pena confirmar a taxa do dia antes de viajar, porque o câmbio oscila com alguma frequência.


Cracóvia, Polónia
Cracóvia, Polónia

Cracóvia, Polónia
Cracóvia, Polónia

Outra coisa que achei muito útil saber foi os nomes das cidades em polaco, o que ajudou bastante nas estações de comboio para conferir certinho as cidades para onde íamos e se os comboios estavam corretos. Cracóvia escreve-se Kraków. Breslávia é Wrocław no nome original. Poznań e Gdańsk mantêm praticamente o mesmo nome que usamos em português. E Varsóvia, em polaco, escreve-se Warszawa.


Sobre a comida, a cozinha polaca é pensada para os invernos rigorosos do país, com bastante carne, batata, repolho e massa. Os pierogi são sem dúvida o prato mais conhecido, sendo uma espécie de pastel cozido ou frito, recheado com batata, queijo, carne, cogumelos ou até fruta, dependendo da região. O żurek é uma sopa ácida à base de centeio fermentado, normalmente servida com salsicha e ovo. O gołąbki são folhas de couve recheadas com carne e arroz. E não posso deixar de mencionar o pączek, uma espécie de sonho recheado que o Marcelo adorou, que em Cracóvia experimentei recheado com compota de rosas.


Pierogi
Pierogi

A Polónia tem uma história rica e marcada por muitas transformações ao longo dos séculos. O país surgiu como estado no século X, e ao longo da Idade Média cresceu até se tornar, em conjunto com a Lituânia, um dos maiores e mais poderosos reinos da Europa. No entanto, no final do século XVIII, a Polónia foi dividida entre a Rússia, a Prússia e o Império Austríaco, desaparecendo do mapa por mais de cem anos. Só em 1918, após a Primeira Guerra Mundial, é que recuperou a independência.


A nossa viagem teve dez dias de duração e foi feita inteiramente de comboio entre cidades. Começamos em Cracóvia, onde conhecemos o centro histórico, a Colina de Wawel e a Mina de Sal de Wieliczka. Auschwitz fica também a curta distância de Cracóvia, mas optámos por não visitar desta vez. De Cracóvia seguimos para Breslávia, onde passamos um dia inteiro à procura dos famosos anões de bronze espalhados pela cidade. De Breslávia fizemos uma day trip até Poznań, para depois seguir até Gdańsk, na costa do mar Báltico. Os últimos dias da viagem foram em Varsóvia, a capital, onde percorri a Rota Real e o bairro histórico de Praga antes de regressar a Lisboa.


Sopot, Polónia
Sopot, Polónia

Dia 1: Lisboa a Cracóvia


A viagem começou no dia 2 de agosto, com um voo direto de Lisboa até Cracóvia. Chegámos já tarde, por volta das 21:30, e como já estávamos cansados comprámos uma sandes no mercado e fomos direto para o hotel jantar e descansar para o dia seguinte.


Para chegar do aeroporto até ao centro fomos de comboio, que é de longe a forma mais simples de fazer este trajeto. Basta seguir as placas "Train / Pociąg" logo à saída do terminal do aeroporto, já que a estação de comboio do aeroporto, chamada Kraków Lotnisko, fica mesmo junto ao aeroporto. O destino é a Kraków Główny, a estação central da cidade de Cracóvia, e a viagem demora aproximadamente 20 minutos. O bilhete custa cerca de 20 zlótis por pessoa e pode ser comprado nas máquinas do terminal, na própria estação ou até dentro do comboio. Para consultar horários e acompanhar os comboios em tempo real, usámos o site da PKP Intercity e o Portal Pasażera.


Ficámos hospedados no Hotel Wyspiański, que fica a apenas dez minutos a pé do centro histórico, uma localização que foi muito prática nos dias seguintes.


Aeroporto de Cracóvia (Kraków-Balice)
Aeroporto de Cracóvia (Kraków-Balice)

Dia 2 : Cracóvia


Transportes em Cracóvia

Em Cracóvia os transportes públicos funcionam por zonas e, como praticamente todos os pontos turísticos ficam na Zona I, valeu-nos mais a pena comprar bilhetes apenas para essa zona. Os bilhetes de 24 horas custam à volta de 20 PLN e dão acesso aos autocarros e aos elétricos (tram) da cidade. Podem ser comprados na aplicação Jakdojade, nas máquinas das paragens ou nas máquinas dentro dos próprios veículos, e nós optámos por comprar nas máquinas. Se comprar um bilhete físico, valide-o imediatamente na máquina dentro do veículo; se usar o Jakdojade, o bilhete deve ser comprado logo depois de entrar, indicando o número do veículo ou lendo o QR Code disponível no interior.


Transportes Cracóvia
Transportes Cracóvia

No segundo dia fizemos um Walking Tour no período da manhã, já que era o único dia completo que teríamos em Cracóvia, e achámos que seria uma das melhores formas de conhecer todos os pontos turísticos da cidade no curto espaço de tempo em que lá estaríamos. Posso dizer que foi a melhor decisão que tomámos. Conhecemos bem o centro da cidade e o tour terminou por volta das 12h.

Paramos para beber uma cerveja na Piwnica Pod Baranami. Esse bar é um dos cabarés mais famosos de Cracóvia. Foi fundado em 1956 por Piotr Skrzynecki, onde rapidamente se tornou um ponto de encontro para artistas, poetas, músicos e intelectuais. Hoje em dia continua ativo e é uma paragem popular para quem visita Cracóvia, sobretudo para quem quer sentir um pouco da atmosfera artística e histórica da cidade.


Piwnica Pod Baranami - Bar Subterrâneo
Piwnica Pod Baranami - Bar Subterrâneo

Cracóvia, Polónia
Cracóvia, Polónia
Cracóvia, Polónia — a escultura de Mitoraj na praça principal, o claustro gótico do Collegium Maius, as muralhas medievais perto da Porta de Florián e as ruas cheias de história a cada esquina.
Cracóvia, Polónia — a escultura de Mitoraj na praça principal, o claustro gótico do Collegium Maius, as muralhas medievais perto da Porta de Florián e as ruas cheias de história a cada esquina.

Na hora do almoço fomos ao Morskie Oko, onde comemos os famosos pierogi ! É um restaurante muito bom e que super recomendamos em Cracóvia.


Depois do almoço, aproveitamos para caminhar sem pressa pela cidade. Gostamos tanto do walking tour da manhã que decidimos fazer um segundo à tarde, dessa vez pelos bairros judaicos, marcado para as 15h. Fazer dois tours no mesmo dia costuma valer a pena quando a cidade tem várias camadas de história, porque assim você conhece um pouquinho de cada uma delas.


No caminho, passamos pela Dobra Pączkarnia para experimentar o pączek recheado com compota de rosas. Achamos uma delícia, e o sabor nos lembrou bastante a bola de berlim (Sonho) que a gente encontra em Lisboa, ainda que a massa polonesa tenha uma textura um pouco mais densa. Fizemos então o segundo tour, com o guia contando toda a história da cidade e explicando como os bairros judaicos foram se formando ao longo dos séculos.


No final, já estávamos tão cansados que preferimos comprar comida no mercado e jantar tranquilos no hotel, encerrando o dia sem mais compromissos.


Restaurante Morskie Oko, Cracóvia — pierogi, golonka (joelho de porco assado) e uma cerveja Okocim.
Restaurante Morskie Oko, Cracóvia — pierogi, golonka (joelho de porco assado) e uma cerveja Okocim.

Cracóvia — o Dragão de Wawel, o Vístula ao entardecer e as ruas de Podgórze cheias de história.
Cracóvia — o Dragão de Wawel, o Vístula ao entardecer e as ruas de Podgórze cheias de história.
Dobra Pączkarnia, Cracóvia — parada obrigatória para provar o pączki, o clássico "sonho" polonês, direto da vitrine desde 1989.
Dobra Pączkarnia, Cracóvia — parada obrigatória para provar o pączki, o clássico "sonho" polonês, direto da vitrine desde 1989.

O que conhecer em Cracóvia:

Centro Histórico

  • Praça do Mercado — o coração de Cracóvia e uma das maiores praças medievais da Europa.

  • Basílica de Santa Maria — igreja gótica famosa pelas duas torres de alturas diferentes e pelo grande altar de madeira esculpido por Veit Stoss. De hora em hora soa um toque de trompete, chamado hejnał, interrompido a meio da nota em homenagem a uma lenda antiga da cidade.

  • Eros Bendato (Eros Spętany) - criada pelo artista Igor Mitoraj. A obra monumental de bronze representa uma cabeça colossal envolta em ligaduras e está localizada na Praça do Mercado Principal (Rynek Główny). Foi doada à cidade pelo artista em 2005 e tornou-se um marco popular para fotografias.

  • Mercado dos Tecidos — antigamente funcionava como um importante mercado comercial, hoje continua a vender artesanato e recordações.

  • Museu Subterrâneo da Praça — museu construído abaixo da Praça do Mercado, onde é possível conhecer vestígios arqueológicos e perceber como era a vida comercial na Cracóvia medieval.

  • Rua Floriańska — uma das ruas mais conhecidas da cidade, parte da antiga Rota Real.

  • Porta de São Floriano — uma das principais entradas da cidade medieval, por onde reis e visitantes importantes atravessavam antes de seguir pela Rota Real em direção ao Castelo de Wawel.

  • Palácio Episcopal de Cracóvia - Tem sido a residência dos bispos de Cracóvia desde o final do século XIV. Foi a casa do Papa João Paulo II quando ele era arcebispo de Cracóvia, e ele costumava saudar os fiéis da "Janela Papal" visível acima da entrada

  • Barbacã de Cracóvia — fortificação circular gótica que protegia a entrada da cidade.

  • Parque Planty — cinturão verde à volta do Centro Histórico, no local onde existiam as antigas muralhas, ótimo para descansar entre uma visita e outra.


Colina de Wawel

  • Castelo Real de Wawel — antiga residência dos reis polacos e um dos locais históricos mais importantes do país.

  • Catedral de Wawel — local ligado às coroações e sepultamentos de reis e importantes personalidades polacas.

  • Dragão de Wawel — ligado a uma das lendas mais famosas de Cracóvia, a estátua solta fogo de verdade em determinados momentos.


Kazimierz e Podgórze

  • Bairro de Kazimierz — antigo bairro cristão e judeu de Cracóvia, hoje uma das regiões mais interessantes da cidade, com sinagogas, igrejas, restaurantes e espaços culturais.

  • Rua Szeroka e Sinagoga Velha — a Rua Szeroka era o centro da vida judaica de Kazimierz; nela encontra-se a Sinagoga Velha, uma das mais antigas e bem preservadas da Polónia.

  • Fábrica de Oskar Schindler — antiga fábrica administrada por Oskar Schindler durante a Segunda Guerra Mundial, hoje um museu sobre a história da cidade durante a ocupação nazista entre 1939 e 1945.

  • Praça dos Heróis do Gueto — no centro do antigo gueto judaico de Podgórze, com grandes cadeiras de metal espalhadas pela praça que formam um memorial às vítimas do Holocausto.


Onde comer em Cracóvia

  • Dumplings MR Vincent - Pierogies Krakow 

  • HEVRE — restaurante dentro de uma antiga sinagoga.

  • Morskie Oko 

  • Pierogarnia Gorolska — especializada em pierogi tradicionais.

  • Judah Food Market 

  • Starka 

  • Pod Aniołami — restaurante histórico que está na família desde 1893.

  • Dobra Pączkarnia — conhecida pelo pączek recheado com compota de rosas.


Dia 3: De Cracóvia a Breslávia, passando pela mina de sal


No dia seguinte, saímos cedo do hotel e fomos direto para a mina de sal.


Fizemos o check out e deixamos as malas nos lockers da estação central de Cracóvia, que custam entre 15 e 20 zł para 24 horas, dependendo do tamanho, uma solução prática para quem quer aproveitar o dia sem carregar bagagem.


Depois de guardar a bagagem, seguimos em direção à Mina de Sal de Wieliczka. Apanhamos o comboio da linha SKA1 na estação Kraków Główny com destino a Wieliczka Rynek-Kopalnia, uma viagem de aproximadamente 23 minutos. Como nossa visita estava marcada para as 9h30 da manhã, pegamos o comboio por volta das 8h para chegar com folga, já que da estação até a entrada da mina ainda é preciso caminhar cerca de 5 a 10 minutos.


A visita durou cerca de três horas, e recomenda-se ir com roupa e calçado confortáveis, porque há muita escada para descer e subir ao longo do percurso (cerca de 800 degraus). Compramos os bilhetes pelo site oficial com cerca de duas semanas de antecedência, já que a visita é sempre feita em grupo com um guia. O nosso tour foi em inglês, porque o horário em espanhol já estava lotado.


Mina de Sal de Wieliczka — Patrimônio da UNESCO.
Mina de Sal de Wieliczka — Patrimônio da UNESCO.
Capela de Santa Kinga, Mina de Sal de Wieliczka 
Capela de Santa Kinga, Mina de Sal de Wieliczka 
 Mina de Sal de Wieliczka
 Mina de Sal de Wieliczka

Depois da visita, voltámos a Cracóvia e seguimos para a estação central para apanhar o nosso comboio em direção a Breslávia. A viagem demorou cerca de três horas e meia, e compramos os bilhetes pelo site oficial dos transportes da Polónia, embora seja possível comprar na hora, na própria estação.


Fomos direto para o nosso hotel, o B&B Hotel Wrocław Old Town, que fica a cerca de 25 minutos a pé da estação. Depois de nos instalarmos, saímos para jantar e fomos ao Konspira comer pierogis, que também estavam muito bons, mais uma boa surpresa gastronômica nessa nossa passagem pelo país e acho que o nosso restaurante favorito da viagem toda. Lá eles tinham um prato que reunia vários pierogis preparados de formas diferentes, alguns assados e outros cozidos, o que foi uma ótima maneira de experimentar variações do mesmo prato de uma só vez.


O restaurante Konspira nasceu para lembrar os anos de resistência contra o regime comunista, especialmente durante a época da Solidariedade e da lei marcial nos anos 80. Depois do fim da Segunda Guerra Mundial, milhares de polacos organizaram-se na clandestinidade, escrevendo e distribuindo jornais e panfletos proibidos, num movimento conhecido como "segundo circuito" de informação. O restaurante recria esse ambiente, com as salas imitam um apartamento típico dos anos 80, cheio de objetos, jornais e cartazes da época.


Restaurante Konspira, Breslávia.
Restaurante Konspira, Breslávia.

 

Dia 4: Breslávia, a cidade dos anões


Nesse dia em Breslávia, fizemos o Walking tour pela manhã, conhecendo os principais pontos do centro histórico e do bairro às margens do rio.


Paramos para almoçar no Bar U Beatki, e à tarde continuamos caminhando pela cidade sem pressa, aproveitando para explorar mais alguns cantos que não tinham entrado no roteiro da manhã.


Os anões de Breslávia são hoje um dos símbolos mais reconhecídos da cidade, mas a sua origem tem uma ligação direta à resistência política. Nos anos 80, durante o regime comunista, surgiu em Breslávia um movimento de oposição pacífica chamado "Pomarańczowa Alternatywa" (Alternativa Laranja), liderado por Waldemar Fydrych. Em vez de protestos convencionais, o grupo usava o absurdo e o humor como forma de resistência, pintando pequenos anões nas paredes onde a polícia apagava grafitis de propaganda anti-comunista, ridicularizando assim a censura do regime.

Décadas mais tarde, a cidade decidiu homenagear esse movimento criativo transformando os anões em pequenas estátuas de bronze espalhadas pelas ruas do centro histórico. A primeira surgiu em 2001, e desde então o número só tem crescido. Hoje há centenas delas, cada uma com uma profissão, atividade ou piada diferente, escondidas em esquinas, bancos, portas e até dentro de lojas.


Para a caça dos anões existe:

  • App "Krasnal Wrocław" — mostra um mapa interativo com mais de 1000 anões localizados, com a sua posição em tempo real. Podendo tirar fotos e ir ganhando pontos à medida que os vai encontrando.

  • App "Wrocławskie Krasnale" — parecida, com mapa de mais de 1170 anões e rankings entre jogadores.

  • Mapa físico em papel — dá para pegar nos pontos de informação turística (Rynek 14 e Sukiennice 12), com 60 dos anões mais interessantes do centro histórico, incluindo a história de cada um.


Passamos a tarde passeando pela cidade e consequentemente encontrando os anões de Breslávia espalhados pelas ruas, mas como são mais de mil espalhados pela cidade toda, claramente não conseguimos ver todos. Perto do horário do pôr do sol, fomos em direção a Fonte Multimédia de Breslávia, ver o show de luzes que acontece as 21hs.


Breslávia
Breslávia

Breslávia — a Catedral de São João Batista às margens do Odra, os jardins e fachadas históricas do centro, e a bela estação central da cidade.
Breslávia — a Catedral de São João Batista às margens do Odra, os jardins e fachadas históricas do centro, e a bela estação central da cidade.

Bar u Beatki, Breslávia 
Bar u Beatki, Breslávia 

Alguns lugares para conhecer em Breslávia

Centro Histórico

  • Praça do Mercado - Uma das praças históricas mais importantes da Polónia. Está rodeada por casas coloridas, restaurantes, cafés e edifícios de diferentes períodos arquitetónicos.

  • Antiga Câmara Municipal - Edifício gótico localizado no centro da Praça do Mercado. É um dos principais símbolos de Wrocław e chama a atenção pela fachada ornamentada e pelo relógio astronómico.

  • Praça do Sal - Pequena praça histórica que antigamente era utilizada para comercializar sal e outros produtos; atualmente é conhecida pelas bancas de flores, cafés e restaurantes.

  • Casas João e Margarida - Duas pequenas casas históricas unidas por um arco, conhecidas em inglês como Hansel and Gretel Houses. Ficam próximas à Igreja de Santa Isabel e são um dos locais mais fotografados do centro.

  • Igreja de Santa Isabel - Grande igreja gótica próxima à Praça do Mercado. A torre oferece uma vista panorâmica da cidade, mas o acesso envolve muitos degraus.

  • Anões de Wrocław - Pequenas estátuas de bronze espalhadas por toda a cidade, representando diferentes profissões, personagens e situações. Tornaram-se o símbolo turístico de Wrocław, e procurar os anões durante o passeio é uma forma divertida de conhecer o centro. Estima-se que existam cerca de 1.040 gnomos espalhados pela cidade.


Caçando gnomos em Breslávia — os Krasnale estão espalhados por praticamente toda esquina da cidade, cada um com sua própria história.
Caçando gnomos em Breslávia — os Krasnale estão espalhados por praticamente toda esquina da cidade, cada um com sua própria história.

Rio Oder e bairro histórico

  • Ostrów Tumski - É a parte mais antiga de Wrocław e uma das regiões mais bonitas para caminhar. Possui ruas de pedra, igrejas históricas, pontes e iluminação tradicional, criando um ambiente especialmente agradável ao entardecer.

  • Catedral de São João Batista - Principal monumento de Ostrów Tumski. A catedral gótica possui duas grandes torres e um interior com capelas e elementos históricos. Em determinados períodos, é possível subir à torre para observar a cidade.

  • Ponte Tumski - Ponte pedonal que liga Ostrów Tumski à Ilha da Areia. É um dos pontos mais conhecidos para fotografar as torres das igrejas e passear junto ao rio.

  • Margens e ilhas do Rio Oder - Wrocław possui várias ilhas e pontes. As margens do rio são agradáveis para caminhar, descansar ou fazer um pequeno passeio de barco.

  • Hala Stulecia - Grande edifício modernista construído entre 1911 e 1913 e projetado por Max Berg. Foi uma obra pioneira na utilização de betão armado e atualmente integra a lista do Património Mundial da UNESCO.

  • Fonte Multimédia e Pérgola - Ficam junto ao Centennial Hall. Durante a época de funcionamento, a fonte apresenta espetáculos gratuitos com água, música e iluminação. A pérgola ao redor é agradável para passear.

  • Panorama de Racławice - É uma enorme pintura panorâmica que representa a Batalha de Racławice, ocorrida em 1794. A sessão de observação dura aproximadamente 30 minutos.


O centro histórico de Breslávia — a praça colorida do Rynek, o interior imponente de suas igrejas góticas, a Ponte Tumski e a fachada gótica da Antiga Prefeitura.
O centro histórico de Breslávia — a praça colorida do Rynek, o interior imponente de suas igrejas góticas, a Ponte Tumski e a fachada gótica da Antiga Prefeitura.

Onde comer em Breslávia

  • Konspira - restaurante temático de cozinha polaca clássica, com comida típica polaca e ambiente histórico dos anos 80.

  • Pierogarnia Rynek 26 - pierogaria localizada na praça central.

  • MASZTO - casa de zapiekanki, as sandes polacas abertas, com porções generosas para quem quer experimentar esse prato tradicional.

  • Kurna Chata - restaurante de cozinha polaca tradicional rústica.

  • Bar Witek - bar de comida de rua e fast food polaco, ótimo para provar a comida de rua tradicional.



Dia 5 : Breslávia a Poznań e depois até Gdańsk


Deixamos Breslávia às 8:50 da manhã, embarcando rumo a Poznań. A viagem de comboio levou cerca de uma hora e meia. Assim que chegamos, aproveitamos para deixar a bagagem nos lockers da estação de Poznań, que funcionam 24 horas por dia.


Usamos o restante do dia para conhecer a cidade, e só depois seguir viagem para Gdańsk. O nosso trem para Gdańsk saiu às 17:36 e a viagem durou quase 3 horas.



Poznań


Poznań é considerada uma das cidades mais antigas da Polônia e tem um papel simbólico enorme na formação do país, já que foi ali, na Ilha da Catedral, que nasceu o próprio Estado polaco no século X, quando o duque Mieszko I se converteu ao cristianismo e fundou o que viria a ser o núcleo da nação polonesa.


Ao longo da Idade Média, a cidade cresceu como um importante centro comercial, muito por conta de sua localização estratégica entre Berlim e Varsóvia, o que fez dela um ponto de passagem constante para mercadores e viajantes. Durante os séculos seguintes, Poznań passou por diferentes fases de domínio, incluindo um longo período sob controle prussiano e depois alemão, o que deixou marcas visíveis na arquitetura e na organização urbana da cidade até hoje.


Foi só depois da Primeira Guerra Mundial que Poznań voltou a fazer parte da Polônia independente, e ao longo do século vinte a cidade se consolidou como um dos principais centros econômicos, universitários e culturais do país, mantendo viva, ao mesmo tempo, uma identidade histórica muito forte que ainda pode ser sentida ao caminhar pelo seu centro antigo.


Poznań
Poznań

Poznań tem uma tradição doce que é praticamente inseparável da identidade da cidade, o rogal świętomarciński, um croissant em formato de ferradura que carrega consigo uma lenda bonita. Conta-se que São Martinho, um soldado romano que mais tarde se tornou santo, cortou ao meio o próprio manto numa noite fria para dividir com um mendigo que tremia de frio, e essa história de generosidade acabou sendo lembrada todos os anos, no dia 11 de novembro, data em que a cidade celebra o santo.

Segundo uma das versões mais contadas, um confeiteiro local teria se inspirado no formato de uma ferradura perdida pelo cavalo do santo para criar o doce, e desde então a receita foi se aperfeiçoando ao longo de gerações, até se tornar o símbolo mais doce de Poznań.


Hoje o rogal é feito de massa semi-folhada, recheado com uma pasta de sementes de papoila branca, nozes, frutas cristalizadas e passas, e desde 2008 tem Indicação Geográfica Protegida na União Europeia, o que significa que só pode ser produzido em Poznań e arredores. Além disso, apenas pastelarias certificadas pela Guilda de Pasteleiros e Padeiros da cidade podem usar oficialmente o nome rogal świętomarciński.


Foi com essa história em mente que fomos até a Cukiernia Fawor, uma das pastelarias mais tradicionais da cidade, com produção certificada desde 1908 e reconhecida várias vezes como a melhor de Poznań, para experimentar o famoso croissant logo no início do passeio.


Croissant de São Martinho, Poznań — o famoso rogal świętomarciński, recheado com pasta de nozes e passas, uma tradição açucarada da cidade.
Croissant de São Martinho, Poznań — o famoso rogal świętomarciński, recheado com pasta de nozes e passas, uma tradição açucarada da cidade.

Depois do doce, continuamos andando e fomos até Ostrów Tumski, a Ilha da Catedral, considerada a região mais antiga de Poznań e ligada ao nascimento do próprio Estado polaco. Lá está a Catedral de São Pedro e São Paulo, tida como a mais antiga do país e local de sepultamento dos primeiros governantes poloneses.


Em Poznań há um pequeno ritual que vale a pena guardar na agenda. Todos os dias, ao meio-dia em ponto, duas cabritinhas de metal aparecem numa janela por cima do relógio da Câmara Municipal, na Praça do Mercado Velho. A tradição vem de uma lenda local, segundo a qual dois cabritos fugiram da cozinha do burgomestre na véspera de uma grande celebração e acabaram a lutar em cima da torre da câmara, à vista de toda a gente reunida na praça. O episódio divertiu tanto o público que ficou decidido recriá-lo todos os dias, e assim nasceu esta pequena tradição que continua viva séculos depois. Nós chegámos a tempo de ver o momento e vale a pena planejar a visita a Poznań por volta desta hora.


Relógio da Câmara Municipal, na Praça do Mercado Velho
Relógio da Câmara Municipal, na Praça do Mercado Velho


Prefeitura de Poznań e os Cabritinhos
Prefeitura de Poznań e os Cabritinhos

Poznań em detalhes — as fachadas coloridas do Rynek, a lenda das cabrinhas que "brigam" ao meio-dia, e a torre gêmea da Catedral na ilha de Ostrów Tumski.
Poznań em detalhes — as fachadas coloridas do Rynek, a lenda das cabrinhas que "brigam" ao meio-dia, e a torre gêmea da Catedral na ilha de Ostrów Tumski.

Já mais no meio da tarde, paramos para almoçar no Na Winklu, uma pierogaria pequena e acolhedora em Śródka, perto da catedral. Comemos pierogi novamente, mas dessa vez assados, o que nos lembrou bastante as empanadas argentinas, tanto pela textura quanto pelo jeito de comer.


Restaurante Na Winklu, Poznań — pastéis assados recheados com rúcula e queijo, num cantinho charmoso na praça colorida do Rynek.
Restaurante Na Winklu, Poznań — pastéis assados recheados com rúcula e queijo, num cantinho charmoso na praça colorida do Rynek.

Pontos turísticos de Poznań

  • Praça do Mercado Antigo - coração histórico da cidade, cercado por construções coloridas, restaurantes e cafés.

  • Prefeitura de Poznań e os Cabritinhos - edifício renascentista localizado no centro da praça. Todos os dias, ao meio-dia e às 15h, dois cabritinhos mecânicos aparecem na torre e batem os chifres 12 vezes.

  • Casas dos Comerciantes - pequenas casas coloridas e estreitas ao lado da prefeitura.

  • Igreja Fara de Poznań - uma das igrejas barrocas mais bonitas e ornamentadas da Polônia, com interior muito rico em detalhes.

  • Castelo Real de Poznań - localizado perto da Praça do Mercado.

  • Ostrów Tumski, Ilha da Catedral - região mais antiga de Poznań e um dos lugares ligados ao nascimento do Estado polonês.

  • Catedral de São Pedro e São Paulo - considerada a catedral mais antiga da Polônia e local de sepultamento dos primeiros governantes poloneses.

  • Ponte do Bispo Jordão e bairro de Śródka - ponte colorida que liga a Ilha da Catedral ao charmoso bairro de Śródka.

  • Castelo Imperial - antiga residência imperial e um dos edifícios mais marcantes da cidade.

  • Parque da Cidadela - maior parque de Poznań, instalado na área de uma antiga fortaleza do século XIX.

  • Lago Malta - grande área de lazer ao ar livre, com calçadão, ciclovias e espaços para atividades esportivas.


Onde comer em Poznań

  • Wiejskie Jadło Poznań - restaurante de cozinha polaca tradicional, perto da praça principal, muito elogiado por bigos, gołąbki e żurek.

  • Na Winklu - pierogaria pequena e acolhedora em Śródka, perto da catedral, considerado por muitos como o melhor pierogi de Poznań, com interior de tijolo à vista.

  • Pyra Bar Poznań - restaurante self-service de comida típica da região da Grande Polónia, à base de batata, muito barato, com porções generosas, ótimo para provar pratos regionais autênticos.


Cukiernia Fawor, Poznań — padaria tradicional cheia de pães e doces poloneses fresquinhos, com aquele letreiro "Dla Ciebie Fawor..." (Para você, Fawor...) na parede.
Cukiernia Fawor, Poznań — padaria tradicional cheia de pães e doces poloneses fresquinhos, com aquele letreiro "Dla Ciebie Fawor..." (Para você, Fawor...) na parede.

Depois do almoço, seguimos em direção à estação central para esperar o trem que nos levaria até Gdańsk. Como chegamos as 20:30hs, deixamos as malas no hotel e fomos jantar numa pizzaria chamada Sempre.


Dia 6: Gdańsk


Já deixando registrado que Gdańsk foi a cidade que eu mais gostei da nossa viagem toda. Ela era toda linda e cheia de vida, com vários jovens aproveitando o verão.


Tivemos a sorte de estar em Gdańsk durante o Jarmark św. Dominika, a Feira de São Domingos. A tradição remonta a 1260, quando o Papa autorizou os frades dominicanos da cidade a conceder indulgências no dia do santo, e a celebração religiosa logo se transformou também numa grande feira comercial, atraindo mercadores de toda a Europa. Séculos depois, a essência continua a mesma, por três semanas, o centro histórico de Gdańsk se enche de barracas vendendo de tudo, de âmbar báltico a antiguidades e artesanato, além de muita comida de rua, música, desfiles e fogos de artifício. Caminhar pela cidade nesse clima de festa, com o centro histórico lotado de gente e cor, deu um toque ainda mais especial à nossa passagem por lá.


Gdańsk é uma das cidades mais antigas e historicamente significativas da Polónia, com origens que remontam ao século X, quando era um importante entreposto comercial junto ao Báltico. O século XX trouxe à cidade um papel simbólico enorme na história europeia, porque foi em Gdańsk na guarnição polaca de Westerplatte, que começou a Segunda Guerra Mundial, a 1 de setembro de 1939, com o ataque alemão. A cidade sofreu destruição massiva durante a guerra e, no final do conflito, passou a fazer parte da Polónia, com a população alemã substituída por polacos vindos de outras regiões, incluindo territórios perdidos a leste.


Nesse dia, acordamos e fizemos o nosso terceiro walking tour em espanhol da viagem. Passamos a manhã inteira caminhando pelo centro histórico de Gdańsk durante o walking tour, conhecendo a cidade com calma.


Gdańsk
Gdańsk

Gdańsk
Gdańsk

Na charmosa Długi Targ (uma das ruas mais bonitas da cidade), há o Monumento a Fahrenheit. A homenagem existe porque Daniel Gabriel Fahrenheit, o cientista que criou a famosa escala de temperatura, nasceu ali mesmo em Gdańsk, em 1686 na rua Ogarna. A coluna reconstrói um termômetro e barômetro de mercúrio no estilo do século XVIII, baseado no modelo aperfeiçoado que ele mesmo desenvolveu em 1752, substituindo um monumento original que existia no local antes de ser destruído na guerra. Reza a lenda, inclusive, que o ponto zero da escala Fahrenheit teria sido definido a partir da temperatura mais baixa já registrada na cidade, no inverno de 1708.


Gdańsk — a Długi Targ e o Mercado Longo com suas fachadas coloridas, a Prefeitura com sua torre dourada e a arquitetura em tijolo que marca a cidade.
Gdańsk — a Długi Targ e o Mercado Longo com suas fachadas coloridas, a Prefeitura com sua torre dourada e a arquitetura em tijolo que marca a cidade.

Monumento a Fahrenheit
Monumento a Fahrenheit

Logo ao lado da Porta Dourada, na entrada da rua Długa, fica a Torre da Prisão (Wieża Więzienna) e a Câmara de Tortura (Katownia). Construída originalmente no século XIV como parte das fortificações medievais da cidade, a estrutura foi transformada em prisão a partir de 1586 e funcionou assim por mais de dois séculos, chegando a ser uma das maiores prisões da Europa, sem nenhum registro de fuga bem-sucedida.


A Câmara de Tortura, com fachada quase de pequeno palácio renascentista, era a antiga sede do carrasco da cidade. Hoje o espaço abriga exposições sobre a história de Gdańsk e sua reconstrução após a Segunda Guerra Mundial, além de um mirante no topo da torre com uma das melhores vistas panorâmicas do centro histórico.


Porta Dourada
Porta Dourada
Torre da Prisão
Torre da Prisão

Gdańsk
Gdańsk

Quando o tour terminou, perto da hora do almoço, pegamos um Uber até Sopot, uma cidade vizinha a cerca de vinte minutos de carro. Logo que chegamos, fomos até o Molo, o pier de madeira mais longo da Europa, e paramos ali mesmo para beber uma cerveja com vista para o mar Báltico. Depois continuamos andando pela cidade, e fomos almoçar no restaurante Śliwka w Kompot.


Sopot — praia com o charme do Grand Hotel, o Molo de madeira mais longo da Europa, e as ruas animadas do centro turístico.
Sopot — praia com o charme do Grand Hotel, o Molo de madeira mais longo da Europa, e as ruas animadas do centro turístico.
Śliwka w Kompot, Sopot — costelinha suculenta, salada com burrata e legumes frescos, melancia gelada e uma limonada refrescante pra fechar a refeição com chave de ouro.
Śliwka w Kompot, Sopot — costelinha suculenta, salada com burrata e legumes frescos, melancia gelada e uma limonada refrescante pra fechar a refeição com chave de ouro.

O que ver em Sopot

  • Molo (Pier) - o cartão-postal da cidade, o pier de madeira mais longo da Europa, com cerca de 511 metros, e vista para o Báltico.

  • Rua Monte Cassino - a rua principal, cheia de lojas, cafés e restaurantes.

  • Krzywy Domek (Casa Torta) - prédio curioso com arquitetura distorcida, muito fotografado.

  • Praia de Sopot - areia larga, boa para relaxar depois do passeio.

  • Grand Hotel Sopot - hotel histórico à beira-mar, vale ver por fora mesmo sem ficar hospedado.

  • Passeio pela orla marítima (bulwar) - caminho agradável ao longo do mar, ótimo para o pôr do sol.



Ao final da tarde, pegamos outro Uber e voltamos para Gdańsk, onde seguimos caminhando pela cidade até a noite. Visitamos o guindaste medieval, que é o maior guindaste medieval preservado na Europa, construído no século XV (por volta de 1444), e servia tanto como guindaste portuário, como porta de entrada fortificada na muralha da cidade. Funcionava com um sistema de rodas gigantes accionadas por homens que caminhavam lá dentro, como uma espécie de roda de hamster humana, o que permitia levantar cargas bastante pesadas para a época. Foi destruído durante a Segunda Guerra Mundial, como grande parte da cidade, e depois reconstruído fielmente ao original.


Guindaste medieval
Guindaste medieval


Centro histórico de Gdańsk

  • Rua Longa e Mercado Longo (Ulica Długa e Długi Targ) - Formam a chamada Rota Real, o principal percurso turístico da cidade. A caminhada passa por casas coloridas, antigos edifícios de comerciantes, cafés, restaurantes e alguns dos monumentos mais famosos de Gdańsk.

  • Portão Dourado (Złota Brama) - Marca uma das entradas da Rota Real. É um belo portão monumental construído no estilo maneirista, decorado com figuras que representam virtudes como liberdade, justiça e paz.

  • Casa de Uphagen (Dom Uphagena) - Casa burguesa do século XVIII transformada em museu. Os seus interiores reconstruídos mostram como vivia uma família rica de comerciantes de Gdańsk, incluindo salas, quartos e áreas de serviço.

  • Câmara Municipal Principal (Ratusz Głównego Miasta) - Edifício gótico e renascentista situado entre a Rua Longa e o Mercado Longo. Durante séculos foi a sede das autoridades locais; no verão, a torre costuma oferecer uma vista panorâmica da cidade.

  • Fonte de Neptuno - É um dos principais símbolos de Gdańsk. A figura de Neptuno representa a ligação histórica da cidade com o mar e encontra-se diante da Corte de Artus, no centro do Mercado Longo.

  • Corte de Artus (Dwór Artusa) - Antigo local de reuniões, celebrações e negócios dos comerciantes mais importantes da cidade. No interior encontra-se um enorme fogão de azulejos com mais de dez metros de altura.

  • Portão Verde (Zielona Brama) - Portão monumental situado no final do Mercado Longo. Ao atravessá-lo, chega-se diretamente à zona ribeirinha e ao passeio junto ao Rio Motława.

  • Basílica de Santa Maria (Bazylika Mariacka) - Enorme igreja gótica de tijolos que domina o centro histórico. No interior encontram-se obras religiosas e um relógio astronómico; a torre possui um miradouro, mas o acesso exige subir muitos degraus.

  • Rua Mariacka (Ulica Mariacka) - Uma das ruas mais bonitas e fotogénicas de Gdańsk. É conhecida pelas casas históricas com escadarias ornamentadas e pelas pequenas lojas especializadas em joias e objetos de âmbar.

  • Capela Real (Kaplica Królewska) - Pequena igreja barroca situada perto da Basílica de Santa Maria. A fachada colorida e elegante contrasta com os grandes edifícios góticos da região.

  • Passeio do Rio Motława - Área agradável para caminhar, com restaurantes, pontes, embarcações históricas e vista para as fachadas reconstruídas da cidade. É especialmente bonita ao entardecer e à noite.

  • Guindaste Medieval (Żuraw) - Antigo guindaste portuário e um dos monumentos mais reconhecidos de Gdańsk. O seu mecanismo utilizava grandes rodas movimentadas por trabalhadores e servia para levantar cargas e instalar mastros em embarcações.

  • Ilha dos Celeiros (Wyspa Spichrzów) - Antiga região de armazéns comerciais situada diante do centro histórico. Atualmente combina edifícios históricos reconstruídos, hotéis, restaurantes e arquitetura contemporânea.

  • Ilha Ołowianka - Pequena ilha junto ao Rio Motława, ligada à zona histórica por uma ponte pedonal. Abriga a Filarmónica Báltica e oferece uma bela vista do Guindaste e da orla de Gdańsk.




Dia 7: Gdańsk a Varsóvia


No dia 7 da viagem, 8 de agosto, fizemos a última viagem de trem da rota, de Gdańsk até Varsóvia, onde ficaríamos hospedados nos últimos dias antes do regresso a Lisboa. Pegamos o trem-bala, que saiu às 07:54 e chegou às 10:31, um trajeto rápido e confortável para atravessar o país de norte a sul.


Estação de Gdańsk
Estação de Gdańsk

Ao chegar, fomos direto para o Varsóvia NYX Hotel Warsaw, nosso hotel para essa etapa final da viagem, que fica a cerca de sete minutos a pé da estação central. Fizemos o check-in e saímos logo para conhecer a cidade.


Varsóvia é uma cidade que carrega uma história marcada por reconstruções e resistência. Fundada por volta do século XIII às margens do rio Vístula, tornou-se capital da Polónia no final do século XVI, substituindo Cracóvia como centro político do país. Ao longo dos séculos seguintes, a cidade cresceu e se consolidou como um importante centro cultural e intelectual da Europa Central.

Em 1944, após o Levante de Varsóvia, uma tentativa de resistência polonesa contra a ocupação nazista, a cidade foi cerca de 85% destruída. O que se vê hoje na Cidade Velha, com suas fachadas coloridas e ruas de pedra, é na verdade fruto de uma reconstrução muito bem planejada que foi realizada após a guerra, baseada em pinturas antigas, fotografias e registros históricos, um trabalho tão preciso que rendeu à região o título de Património Mundial da UNESCO.


Varsóvia
Varsóvia

Caminhamos pelo centro histórico de Varsóvia sem rumo, pois iriamos fazer o nosso último walking tour da viagem no próximo dia.


Varsóvia
Varsóvia
Varsóvia
Varsóvia

Depois de andar bastante, paramos para almoçar no Podwale Piwna Kompania.


Podwale Piwna Kompania
Podwale Piwna Kompania
Podwale Piwna Kompania
Podwale Piwna Kompania

Depois do almoço, seguimos caminhando pela cidade até o Palácio da Cultura e Ciência, um enorme edifício de estilo soviético que continua sendo um dos símbolos mais reconhecíveis do horizonte de Varsóvia. Pelo caminho, em algumas fachadas da cidade, ainda é possível notar marcas de bala que datam a época da guerra.


Palácio da Cultura e Ciência
Palácio da Cultura e Ciência

Varsóvia
Varsóvia
Varsóvia
Varsóvia

Caminhamos pelo antigo bairro do Gueto, onde dá para encontrar marcações de metal embutidas no chão, indicando o traçado exato do Muro do Gueto, que existiu entre 1940 e 1943. Em 1943 esse mesmo espaço foi palco do Levante do Gueto de Varsóvia, um dos episódios mais marcantes de resistência judaica durante a Segunda Guerra Mundial, e logo depois o gueto foi praticamente destruído.


Antigo bairro do Gueto
Antigo bairro do Gueto

Marcações do Muro do Gueto de Varsóvia
Marcações do Muro do Gueto de Varsóvia

Depois de uma tarde inteira andando, voltamos ao centro para jantar num restaurante georgiano, aproveitando para acompanhar o pôr do sol enquanto comíamos. Só então seguimos para o hotel, para descansar.




Varsóvia
Varsóvia

Restaurante Georgiano
Restaurante Georgiano

Dia 8 :Varsóvia


Transporte Público

Para o transporte público em Varsóvia, a aplicação mais útil é a Jakdojade. Os bilhetes de 24 horas custam 15 PLN, válidos para a Zona 1, e dá para usar metro, autocarro e tram sem restrição. Vale lembrar que os principais pontos turísticos da cidade ficam justamente dentro dessa zona, então geralmente não é preciso se preocupar com zonas adicionais.


Onde comer em Varsóvia

  • Hala Koszyki - food hall histórico numa antiga hala de mercado renovada, com dezenas de bancas de comida variada.

  • Soul Kitchen - cozinha polaca e europeia com toque elevado e ambiente de música ao vivo.

  • Podwale 25 Kompania Piwna - um dos mais tradicionais da Cidade Velha, com chucrute grátis e cerveja servida em canecas tradicionais.

  • Specjały Regionalne - restaurante de cozinha regional polaca, famoso pelo żurek e pelo kotlet schabowy.

  • Gościniec Polskie Pierogi - pierogaria acolhedora especializada em pierogi clássicos polacos.

  • Czerwony Wieprz - famoso pelo golonka, o joelho de porco, além de pierogi, arenque fresco e a lard caseira servida com pão.


Varsóvia
Varsóvia

Varsóvia
Varsóvia

No nosso último dia em Varsóvia, fizemos um walking tour pela cidade durante a manhã, aproveitando para revisitar e completar o que ainda faltava ver no centro histórico. Paramos para almoçar no Barbakan, ali mesmo na Cidade Velha, e depois continuamos caminhando pela cidade.


Caminhando pela Krakowskie Przedmieście, a Rota Real de Varsóvia, conseguimos reparar nos bancos de granito preto espalhados pelo caminho. Esses são os chamados Chopin Benches. Ao todo são 15 bancos instalados em pontos que têm alguma relação com a vida do compositor na cidade, e cada um deles tem um botão que, ao ser pressionado, toca um trecho de 30 segundos de uma peça de Chopin. Os bancos também trazem um mapa gravado com a localização dos demais. Esse trajeto passa pelos cafés que Chopin frequentava quando jovem, como o antigo café que mais tarde deu origem ao Telimena.




Varsóvia
Varsóvia

Mapa dos Chopin Benches
Mapa dos Chopin Benches
Café Telimena - um dos cafés que Chopin frequentava
Café Telimena - um dos cafés que Chopin frequentava

Restaurante Barbakan
Restaurante Barbakan


Outro símbolos de Varsóvia é a Syrenka Warszawska, a Sereia de Varsóvia, presente até no brasão oficial da cidade. Segundo a lenda mais conhecida, um pescador chamado Wars resgatou e se apaixonou por uma sereia chamada Zawa. Como forma de agradecimento, ela prometeu proteger para sempre o vilarejo dele às margens do Vístula. Com o tempo, o vilarejo cresceu e deu origem ao nome Warszawa. A sereia teria presenteado o pescador com uma espada e um escudo, os mesmos que carrega até hoje em suas representações pela cidade.


Sereia de Varsóvia
Sereia de Varsóvia

À tarde, fomos até o bairro de Praga, do outro lado do rio Vístula. Praga é um dos bairros mais autênticos de Varsóvia. Por ficar na margem oposta ao centro histórico, acabou sendo poupado da destruição maciça que atingiu o resto da cidade durante a Segunda Guerra Mundial. Isso significa que ali ainda existem edifícios originais, com fachadas antigas e desgastadas pelo tempo, sem a reconstrução que caracteriza boa parte de Varsóvia.


Hoje o bairro tem uma vibe bem diferente do centro, mistura arte urbana, prédios históricos, ateliês, bares alternativos e um ambiente mais cru e boêmio, que atrai bastante gente jovem e artistas. Onde até foi espaço para as gravações do filme "O Pianista".


Perto da hora do jantar, voltamos em direção ao centro e fomos até o Hala Koszyki jantar, encerrando assim o nosso último dia na cidade.


Local de filmagem do filme o pianista
Local de filmagem do filme o pianista


Bairro de Praga
Bairro de Praga


Bairro de Praga
Bairro de Praga
Hala Koszyki
Hala Koszyki

Pontos turísticos de Varsóvia

Centro histórico

  • Cidade Velha (Stare Miasto) - centro histórico reconstruído após a Segunda Guerra Mundial e reconhecido pela UNESCO pela sua extraordinária recuperação.

  • Praça do Mercado da Cidade Velha (Rynek Starego Miasta) - praça cercada por fachadas coloridas, restaurantes e edifícios históricos, considerada o coração turístico de Varsóvia.

  • Estátua da Sereia de Varsóvia (Syrenka Warszawska) - monumento dedicado à sereia armada com espada e escudo, símbolo oficial e protetora lendária da cidade.

  • Castelo Real (Zamek Królewski) - antiga residência dos reis poloneses, com apartamentos reais, salões históricos e importantes obras de arte.

  • Praça do Castelo (Plac Zamkowy) - praça localizada diante do Castelo Real e principal ligação entre a Cidade Velha e a Rota Real.

  • Coluna de Sigismundo III (Kolumna Zygmunta) - monumento dedicado ao rei Sigismundo III Vasa e um dos símbolos mais conhecidos de Varsóvia.

  • Catedral de São João Batista - principal igreja histórica da Cidade Velha, ligada a reis, presidentes, escritores e personalidades importantes da Polônia.

  • Praça Kanonia e o Sino dos Desejos - pequena praça onde, segundo a tradição, dar três voltas ao redor do antigo sino ajuda a realizar um desejo.

  • Barbacã de Varsóvia (Barbakan) - estrutura defensiva de tijolos que fazia parte das antigas fortificações da cidade.

  • Muralhas da Cidade Velha - trechos reconstruídos das antigas muralhas que oferecem uma agradável caminhada pelo centro histórico.

  • Gnojna Góra - pequeno mirante histórico com uma bela vista do rio Vístula e da parte moderna da cidade.

  • Museu de Varsóvia - museu que apresenta objetos, documentos e histórias sobre a formação, a destruição e a reconstrução da capital.

  • Cidade Nova (Nowe Miasto) - bairro histórico mais tranquilo, com pequenas praças, igrejas e casas coloridas reconstruídas.

  • Monumento ao Pequeno Insurgente (Mały Powstaniec) - estátua de uma criança com capacete militar que homenageia os jovens envolvidos na Revolta de Varsóvia.



Rota Real

  • Rota Real (Trakt Królewski) - percurso histórico que liga o Castelo Real ao Parque Łazienki e ao Palácio de Wilanów.

  • Rua Krakowskie Przedmieście - elegante avenida com palácios, igrejas, monumentos e edifícios ligados à história política e cultural da Polônia.

  • Palácio Presidencial - residência oficial do presidente da Polônia e um dos edifícios mais importantes da Rota Real.

  • Universidade de Varsóvia - universidade histórica com um belo campus formado por antigos palácios e edifícios elegantes.

  • Monumento a Nicolau Copérnico - estátua dedicada ao famoso astrônomo polonês, localizada diante da Academia Polonesa de Ciências.

  • Basílica da Santa Cruz - igreja barroca conhecida por guardar, num dos seus pilares, o coração do compositor Frédéric Chopin.

  • Rua Nowy Świat - uma das ruas mais famosas da cidade, com cafés, restaurantes, lojas e edifícios históricos.

  • Praça das Três Cruzes (Plac Trzech Krzyży) - praça elegante marcada pela Igreja de Santo Alexandre e por lojas sofisticadas.

  • Avenida Ujazdowskie - avenida arborizada cercada por embaixadas, palácios históricos, jardins e edifícios elegantes.


Bairro de Praga

  • Praga Norte (Praga Północ) - bairro conhecido pelos edifícios antigos, arte urbana, restaurantes alternativos e ambiente autêntico.

  • Museu de Praga - museu dedicado à história, aos moradores e às tradições do lado direito do rio Vístula.

  • Catedral Ortodoxa de Santa Maria Madalena - importante igreja ortodoxa conhecida pelas suas cúpulas douradas e interiores decorados.

  • Parque Praski - parque arborizado próximo ao zoológico e às margens do rio Vístula.

  • Zoológico de Varsóvia - zoológico histórico também ligado à história da família Żabiński durante a Segunda Guerra Mundial.

  • Parque Skaryszewski - amplo parque paisagístico com lago, jardins, esculturas e áreas para caminhadas.

  • Saska Kępa - bairro elegante conhecido pelas suas vilas históricas, ruas arborizadas, cafés e restaurantes.



Palácios, parques e jardins

  • Parque Real Łazienki (Łazienki Królewskie) - grande conjunto de jardins, palácios e monumentos que serviu como residência de verão do último rei da Polônia.

  • Palácio sobre a Ilha (Pałac na Wyspie) - palácio neoclássico refletido nas águas do lago e principal atração do Parque Łazienki.

  • Monumento a Chopin - escultura dedicada ao compositor, junto à qual acontecem concertos ao ar livre durante o verão.

  • Anfiteatro de Łazienki - teatro ao ar livre inspirado na arquitetura clássica e localizado diante de um lago.

  • Palácio Myślewicki - residência histórica dentro do Parque Łazienki, conhecida pelos seus interiores preservados.

  • Palácio de Wilanów - residência real barroca considerada uma das maiores joias arquitetónicas de Varsóvia.

  • Jardins do Palácio de Wilanów - jardins formais com esculturas, lagos, fontes e áreas paisagísticas ao redor do palácio.

  • Jardim Saxão (Ogród Saski) - um dos parques públicos mais antigos da Polônia, com fontes, esculturas e caminhos arborizados.

  • Túmulo do Soldado Desconhecido - memorial dedicado aos soldados poloneses mortos em defesa do país, protegido por uma guarda de honra.

  • Jardim Krasiński - parque histórico situado junto ao Palácio Krasiński, ideal para descansar depois de visitar a Cidade Velha.



Dia 9: O regresso


No dia 10 de agosto encerramos a nossa viagem, com o voo de regresso de Varsóvia a Lisboa, que partiu às 13:05 e chegou às 16:30.


Para chegar ao aeroporto, fomos de trem, pegando a linha S2 ou S3 na Estação Central de Varsóvia, ambas com paragem direta em Warszawa Lotnisko Chopina, o aeroporto de Varsóvia. A estação fica no subsolo, no nível -1, ligada diretamente ao terminal por elevador ou escadas rolantes, o que facilita bastante para quem está com bagagem. A viagem dura cerca de vinte a vinte e três minutos, e o bilhete usado é o mesmo bilhete normal ZTM de 75 minutos, no valor de 4,40 PLN, já que o aeroporto está dentro da Zona 1 e não exige nenhum bilhete especial. A compra pode ser feita nas máquinas da estação, dentro do comboio, ou pela aplicação, seja Jakdojade, moBILET ou mPay.


 

 

 

 
 
 

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